Que Se Brinde A Djavan!

Apenas dois anos depois de fechar a IV edição do Festival Jardins do Marquês, Djavan voltou a Lisboa para “Djavanear Só Sucessos” numa noite feliz e de guardar na memória. Logo no início do concerto o artista fez questão de dizer que Portugal era a sua “segunda pátria”. Não há muitos artistas brasileiros com longas carreiras que se possam efectivamente “gabar” disso: Caetano Veloso, Chico Buarque, Gal Costa, Gilberto Gil, Ivete Sangalo e Titãs (na sua formação original). Apesar da língua-comum, a travessia radiofónico-atlântica não é algo propriamente comum. Em ambos os sentidos. A comemorar 50 anos de carreira, Djavan mostrou ser uma dessas raras e bonitas excepções. Num Pavilhão Atlântico absolutamente lotado – literalmente a “abarrotar” – houve direito a 110 minutos de clássicos intemporais naquilo que podia ter sido uma noite perfeita. Mas não foi. À semelhança do que acontecera aquando da passagem de Eros Ramazzotti pela maior sala de espectáculos do país, e exactamente pela mesma razão, a segurança voltou a ter um comportamento digno de reflexão… O artista convida o público a levantar-se, dançar e chegar-se perto, a segurança contraria e anda, desenfreada e continuamente, a tentar sentar cada um dos espectadores. Para visível incómodo do próprio artista que, já na recta final do espectáculo, reiterou a sua vontade de ver o público levantado e perto dele. O público, entre o desejo de celebrar a carreira do artista brasileiro e a saturação de ser perturbado pela segurança, aderiu em massa, restando à segurança a rendição. As normas fazem falta. Mas havendo civismo, quão ilógico é contrariar o apelo do único motivo para a reunião de toda uma multidão – o artista? Entre a ‘Boa Noite’ que, apesar de tudo, se estava a viver, Djavan deixou, igualmente, para reflexão a questão política vivida no seu país (Brasil), pedindo para se “defender a democracia”. Apesar de ‘Meu Bem Querer’ e ‘Oceano’ tocadas a solo por Djavan terem tocado no coração dos presentes, ‘Um Brinde’ tem de ser feito à banda que acompanha o artista: Rafael Rocha (trombone), Jessé Sadoc (trompete), Marcello Martins (saxofones e flauta), Paulo Calasans (piano), Renato Fonseca (teclados), Torcuato Mariano (guitarra), Felipe Alves (bateria) e Marcelo Mariano (baixo). Pintada em tons encantadores de ‘Lilás’, o ‘Amor Puro’ do cantor septuagenário por Portugal foi comprovado quando este convidou Mariza para subir ao palco e cantar este tema lançado no virar do século. Gostar da obra de Djavan pode ser uma mera ‘Sina’. Mas, ‘Se…’ o é, é uma sina vibrantemente feliz. Que mais se pode querer? Texto e Fotos: Diogo Santos