King Gizzard: Rock Alucinante em Dose Tripla

Os King Gizzard & The Lizard Wizard encerraram sua tripla passagem pelo Coliseu de Lisboa nesta terça-feira com um concerto que consolidou a sua reputação como uma das bandas mais energéticas e versáteis da cena psicadélica contemporânea. Na passada terça-feira, 20 de Maio de 2025, assistimos ao último dos três concertos dos australianos King Gizzard & The Lizard Wizard no Coliseu dos Recreios em Lisboa. Cada noite trouxe uma setlist diferente, e o derradeiro show não foi exceção, dando a conhecer ao público lisboeta as diversas sonoridades do grupo, desde o psych-rock ao trash metal de temas mais calmos a solos improvisados. Antes dos cabeças de cartaz actuaram os Etran de L’Aïr (ou “estrelas da região de Aïr”), banda de rock do Niger composta por irmãos e primos, todos nascidos e criados no pequeno bairro de Abalane em Agadez, à sombra da grande mesquita. Formaram-se em 1995 começaram por tocar em casamentos locais cantando em Tamashek (variedade de tuaregue, uma macro língua berbere amplamente falada por tribos nômadas no norte e oeste da África na Argélia, Mali, Níger e Burkina Faso). Enquanto outros músicos tuaregues se inspiram no rock ocidental, Etran de L’Aïr toca num estilo pan-africano que é emblemático da sua cidade natal combinando elementos de canções tradicionais tuaregues e estilos musicais de blues. Galeria completa aqui: Ás 22:00 horas entraram em cena os King Gizzard para darem inicio ao ultimo concerto no Coliseu de Lisboa. Arrancaram de forma poderosa com “The Dripping Tap”, seguindo-se “Magma” e “Sad Pilot”. Momentos de pura intensidade metal como “Planet B”, “Perihelion”, “Gaia” e “Gila Monster” fizeram o Coliseu vibrar, com a energia a atingir o seu auge com muitos mosh pit e crowd surfing. Nesta terceira noite os King Gizzard demonstraram a sua faceta mais agressiva e frenética mas também não esqueceram o seu lado de caos psicadélico que caracteriza as suas actuações ao vivo. A banda, como sempre, foi incansável com Stu Mackenzie a comandar, coadjuvado por Joey Walker, Ambrose Kenny-Smith, Cook Craig, Lucas Harwood e Michael Cavanagh confirmaram o seu virtuosismo instrumental. A interação da banda com o publico foi constante, composto por fãs entusiastas e conhecedores, que se mantiveram sempre em alta rotação. Deixaram para o final uma versão estendida de “The River” que encerrou a noite de forma apoteótica. O último concerto no Coliseu foi, portanto, uma demonstração da diversidade musical e da inovação dos King Gizzard & The Lizard Wizard solidificando a sua posição como uma das bandas mais emocionantes e imprevisíveis da atualidade. Quem acompanhou os três dias saiu com a certeza de ter visto uma das turnês mais ambiciosas do ano. Galeria completa aqui: