Um Silencioso-bonito Tributo A Carlos Tê

Menos de um ano depois Rui Veloso regressou ao Campo Pequeno para dizer um ‘até já’ ao público que o traz diariamente no coração. Após celebrar os 45 anos de carreira no Campo Pequeno com a Orquestra Sinfónica da GNR conduzida por John Beasley, o artista portuense regressou à mítica sala lisboeta numa noite memorável. Num palco em formato 360 graus incorporando a tecnologia adoptada por Ed Sheeran aquando da sua “360º Tour” onde o artista estava de frente para tudo e todos – embora aqui numa rotação mais lenta – Rui Veloso subiu a palco no seu ‘Cavaleiro Andante’ acompanhado de um trio luxuoso (luxuoso poderá ser pouco) de músicos: Alexandre Manaia (guitarras acústicas), Eduardo Espinho (baixo, guitarra e cavaquinho acústicos) e João Caetano (percussões). Os concertos intimistas e de cariz mais acústico não são novidade para aquele que é o Pai do Blues em Portugal. Poucas serão as famílias que não têm/tiveram na sua estante o mítico trabalho ao vivo “O Concerto Acústico”. As aparições de Rui Veloso em formato trio também já são um costume com meia dezena de anos. Mais do que as bonitas harmonias vocais e instrumentais, este formato minimalista privilegia a palavra dotando-a de uma beleza-profundidade que tocam na alma. Palavras essas que foram escritas noutro século por Carlos Tê na mais bem-sucedida colaboração deste género em Portugal. Palavras essas entoadas a uma só voz em temas como ‘Primeiro Beijo’ ou ‘Porto Sentido’ num Campo Pequeno praticamente lotado. E se o ‘Prometido É Devido’, também é certo que Rui Veloso permanece alguém com sentido de humor e com gratidão para com os seus. Fez, por isso, questão de trazer o nome de Carlos Tê a palco, numa salva de palmas tocante. Tocante foi, também, a menção a Luís Represas e a Jorge Palma por parte do já eterno ‘Chico Fininho’. Afinal de contas, agora ‘Há Estrelas No Céu’. Nos tempos mais próximos Rui Veloso vai recolher-se. Tal também não é novidade nem a primeira vez. Para preencher o vazio que o hiato irá criar existe sempre a ‘Paixão (Segundo Nicolau da Viola)’ e a memória de uma noite onde só faltou o ‘Postal dos Correios’ ter sido entregue a horas. Alinhamento:Cavaleiro AndanteAfuradaBairro Do OrienteSaiu Para A RuaSei De Uma CamponesaPorto CôvoA Explicação Das EstrelasNunca Me Esqueci De TiCanção De AlternePrimeiro BeijoPorto SentidoA Gente Não LêO Prometido É DevidoTodo O Tempo Do MundoJá Não Há Canções De AmorUm Trolha D’areosaBeirãLado LunarAs Meninas Da Ribeira Do SadoChico Fininho Encore:Má FortunaNão Me MintasNão Há Estrelas No CéuA Paixão (Segundo Nicolau Da Viola) Texto: Diogo Santos Fotos: Facebook Rui Veloso Oficial

RUI VELOSO & BANDA SINFÓNICA DA GNR | 45 ANOS

RUI VELOSO CELEBRA 45 ANOS DE CARREIRA ACOMPANHADO PELA BANDA SINFÓNICA DA GNR Rui Veloso, um dos maiores nomes do cancioneiro português, celebra quatro décadas e meia de carreira com um concerto único no dia 28 de novembro, no Campo Pequeno, em Lisboa. Este espetáculo conta com a participação especial da Banda Sinfónica da GNR e arranjos únicos de John Beasley – premiado músico e compositor de jazz norte-americano e diretor do Monterey Jazz Festival, conhecido por trabalhos com Miles Davis e Steely Dan, entre tantos outros. Este será um momento único que celebra o legado incomparável de Rui Veloso na música portuguesa, mas também a própria história da música popular portuguesa.