Dia II de Uns Scissor Sisters A Salvarem O Festival
Depois de um primeiro dia onde a ausência de público foi notória-desoladora, o
segundo dia não se perspectivava melhor. Mas houve uns Scissor Sisters a
salvarem tudo e todos: inclusive o festival.
Tal como no dia anterior, o dia no IV MEO Kalorama começou no Palco San Miguel cujo
belo design este ano ficou a cargo de Malibu Ninjas (Underdogs). Em palco, os
Model/Actriz viram o vocalista Cole Haden “atirar-se” para o meio do público umas
quantas vezes na tentativa de animar as hostilidades. Muitos saltos no meio de alguns
fãs. Mas talvez nem esses tenham percebido o que ali se passou. Um concerto cujo
único adjectivo que se pode utilizar é “terrível”. No ar fica a questão… como é que uma
banda de tão fraca qualidade pode ter lugar num grande festival como o MEO
Kalorama?
De seguida, mais questões se levantaram. Azelia Banks subiu ao no palco principal
apenas com o seu DJ. Sem lançar nenhum LP há quase uma década, a apresentação
revelou-se como a noite: fria. Não terá esta artista sido colocada no palco errado, à
hora errada?
Logo depois, Boy Harsher entregaram um espectáculo de electrónica do mais alto
nível. No entanto, entre os presentes – que novamente não superaram as 10 mil
pessoas – ficou a sensação de que o espectáculo foi colocado no paco errada, à hora
errada. Uma vez mais.
Por volta da meia-noite, os Scissor Sisters subiram a palco. Agora sem Ana Matronic e
após mais de uma dúzia de anos de ausência, a banda norte-americana celebrou o
vigésimo aniversário do seu álbum homónimo de estreia da melhor maneira. Os
Scissor Sisters têm na famosa actriz Bridget Barkan a substituta ideal para Ana
Matronic. Para adoçar essa perfeição, Barkan estava a celebrar o seu 45º aniversário e
“jogou” praticamente tudo fora, dos sapatos à roupa. Sacou, inclusive, um ‘bico da
cartola’. Perdão, coelho. Os presentes perceberam a referência. “I Don’t Feel Like
Dancin’” foi a cereja no topo de um bolo de grande qualidade, da sonoridade, à
performance e à parte cénica.
O mesmo não se pode dizer dos artistas que finalizaram a noite. Com a expectativa
elevada, Róisín Murphy conseguiu o impensável. Após várias mudanças de roupa, a
irlandesa finalmente lançou ‘Sing It Back’ (dos seus tempos de Moloko), o seu único
tema com sucesso relevante. Mas, imagine-se… Das mil e uma versões que esse tema
tem, a cantora conseguiu não só apresentar uma versão nada que nada que ver com as
conhecidas como também destruir a essência da canção. Em vez de fazer aquele riff de
guitarra que, embora básico, é orelhudo, o guitarrista foi colocado a tocar precursão.
Resultado? O público dispersou para nunca mais voltar. Lamentável.
Para fechar a noite, FKA Things apresentou um espectáculo dividido em três actos. Esta
mostrou ser uma “versão melhorada” de Doja Cat, no entanto, o que apresentou
revelou-se demasiado cinematográfico. A frase proferida pela britânica “I’m single,
ready to mingle” revelou-se inexplicável e até infeliz, visto que é do conhecimento
público que a mesma se encontra não só num relacionamento como tem um processo
judicial a decorrer contra um dos seus antigos companheiros. Em termos práticos, para
lá da lindíssima voz soprano, pouco ou nada é feito ao vivo. É tudo pré-gravado. Tal
merece ser cabeça-de-cartaz de um festival? Camila Cabello (quase) foi cancelada por
menos – injustamente diga-se. Talvez a venda de bilhetes fale por si. E ela foi pouca.
Para fechar a noite, FKA cantou ‘Cellophane’ com uma melodia de piano tocada ao
vivo de cortar a respiração. Problema? O pianista teve direito a um total de 0 segundos
de atenção. Nem um foco de luz. Uma pena.
Texto de Diogo Santos.














Fotos da Organização do Festival