Dia I & Um Recinto Quase Vazio Difícil de Esquecer
A 4ª edição do MEO Kalorama arrancou com a curiosidade de como seria a
adesão do público após uma edição anterior agridoce e um cartaz com vários
nomes a figurar em Glastonbury mas sem um nome gigante como outrora.
Os Cara de Espelho foram o primeiro nome a captar a real atenção do público.
Apresentando o seu disco homónimo de estreia, a banda conseguiu alertar, com
sucesso, que o sentido crítico sob tudo o que nos rodeia nunca foi tão importante.
De seguida, Father John Misty mostrou que o seu mais recente trabalho,
“Mahashmashana”, é um LP interessante. Mas cometeu o pecado fatal de não
aproveitar a transição do dia para a noite.
Com pouco público no recinto – não se contaram mais de 10 mil pessoas ao longo do
dia, o espectáculo de Sevdaliza em nada ajudou à causa. O espectáculo, se é que lhe
podemos assim chamar foi, no mínimo, estranho. E por aqui é melhor ficar.
Por fim, o nome maior da noite. Os Pet Shop Boys apresentaram-se em grande forma,
não desfazendo o alinhamento-base da sua actual digressão “Dreamworld – The
Greatest Hits Live”. O pouco público, com algumas excepções, foi oriundo de três
variantes. Pessoas nascidas na década de 60 e 70, frequentadores do bar Jamaica e
alguns jovens adultos que em crianças ousaram pegar nos vinis dos pais algures no
passado. Neil Tennant, vocalista da banda britânica, mostrou que mesmo aos 70 anos
a sua voz continua bastante jovial. A sua postura poética-psicadélica em palco fez
lembrar, muitas vezes, Arnaldo Antunes, fundador da banda de rock brasileira Titãs.
Temas como “Where the Streets Have No Name / I Can’t Take My Eyes Off You”, “You
Were Always on My Mind”, “You Were Always on My Mind”, “What Have I Done to
Deserve This?”, “It’s a Sin” e “West End Girls”, bem como o espectáculo cénico fizeram
as delícias dos presentes. Na hora da despedida, Neil Tennant fez questão de dizer
“Boa Noite” em bom português.
Para o astral e a energia continuarem em altas, nada melhor que os L’Impératrice. A
banda de francesa, cuja música assenta essencialmente em instrumentais, ainda está a
recuperar da saída – com acusações gravíssimas – da sua vocalista original, Flore
Benguigui. Mas está num bom caminho.
Para o fechar do dia, os The Flaming Lips apresentaram o já vintage “Yoshimi Battles
the Pink Robots” na íntegra num palco principal cuja assistência foi cerca de… 500
pessoas. Algo absolutamente desolador, especialmente tendo em consideração que a
banda norte-americana entregou um espectáculo digno de se ver. Wayne Coyne,
embora a voz já não atinja a perfeição dos tempos áureos, puxou pelo ‘público’ do
início ao fim, no término de um primeiro dia onde a imagem de um Parque da Bela
Vista despido é difícil de esquecer.
Texto de Diogo Santos.














Fotos da Organização do Festival