Depois de quatro datas ditas de ensaio-ao-vivo, os Fischer-Z aterraram em
Portugal para o arranque da sua digressão que celebra os 50 anos de actividade.
Segundo a história, nem poderia ser de outra maneira.

Foi em Portugal que a história de John Watts mudou definitivamente de direcção. Foi
aqui, em 1981, no antigo Estádio de Alvalade, que os Fischer-Z integraram o ‘elenco’
de um dos míticos “Febre de Sábado de Manhã” e mostraram ‘The Worker’ para cerca
de 45 mil pessoas. Foi aqui que John Watts percebeu que pronunciar ‘Fischer-Z’
passaria a ser apenas para dar nome à sua música, libertando-o das distribuições
matemáticas que, enquanto psicólogo clínico, a carreira o ‘obrigava’ a calcular.

Os 50 anos de estrada dos Fischer-Z têm sido marcados pela vontade de John Watts
colaborar com outros músicos, alterando constantemente a formação da sua banda.
Face à sua última aparição em Portugal, no Casino do Estoril em 2024, apenas o
guitarrista Marian Menge voltou. Para a digressão de 50 anos a bateria está entregue a
Olly Newton, o baixo a Dave Purdye e os teclados a Chloe Leigh. E, se as novas
aquisições trazem já experiência e partituras bastante específicas na bagagem, Chloe
Leigh não. Para além de irradiar um entusiasmo-felicidade contagiante e uma voz doce
que se conjuga harmonicamente na perfeição com a de John Watts, a jovem britânica
detém bastante liberdade nas teclas, que tenta usar em proveito da sonoridade global
da banda. Além disso, é importante notar que a ligação de Chloe com Watts já vem dos
bastidores. Há quase cinco anos que esta gere a agenda e a estratégia digital do
veterano artista, tendo igualmente estado envolvida na gravação do novo trabalho dos
Fischer-Z, “X-Ray Serenade”.

O lançamento do 15º trabalho de originais da banda britânica coincidiu, de propósito,
com o concerto num quase lotado Coliseu dos Recreios. Desse trabalho houve a
oportunidade de receber-escutar ‘Perfect’ e ‘When Love Goes Wrong’ com bastante
atenção, depois de haver uma sintonia perfeita e arrepiante em ‘So Long’.

Num concerto de 21 canções e quase duas horas, ligeiramente afectado por um ruído
estranho oriundo do jack da guitarra eléctrica de John Watts, houve ainda
oportunidade para o público cantar a uma só voz ‘One Voice’ e ‘Marliese’.

Mesmo sem sabermos, há artistas, bandas e canções que, embora não tenham um
reconhecimento global avassalador, figuram no nosso imaginário mais profundo,
detendo a audaz-rara capacidade de nos fazerem felizes só pela presença. Os Fischer-Z
são um desses raros casos. Que a sua presença em Portugal volte a acontecer em
breve.

Texto de Diogo Santos.
Fotografia de Jorge Pereira.