Depois de três aparições no NOS Alive, uma em nome próprio no Coliseu dos
Recreios e outra no Pavilhão Atlântico, os Imagine Dragons aventuraram-se,
com relativo sucesso, no Estádio da Luz.
À hora marcada para a banda de abertura iniciar o concerto, o recinto encontrava-se
demasiado despido. Por isso, Declan McKenna e a sua banda de suporte adiaram em
quase uma hora o início da sua apresentação. O artista inglês notabilizou-se há uma
década ao ser nomeado o Talento Emergente pelo festival de Glastonbury cujo prémio
monetário resultou em ‘Brazil’, o seu primeiro single de sucesso. Antes do público
presente escutar esse tema, houve oportunidade para os temas do III álbum de
originais de Declan – “What Happened to the beach” (lançado o ano passado) – mas
sobretudo para apreciar talento nacional. Isto porque na sua banda de suporte consta
Isabel Torres, uma exímia guitarrista que pinta e eleva com naturalidade a qualidade
de Declan McKenna. A própria tratou de mostrar as suas raízes ao anunciar que
estavam perante “a melhor audiência desta tournée”. Será que os Imagine Dragons
iriam corroborar dessa teoria?






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À hora marcada, os Imagine Dragons subiram ao palco através de ‘Fire in These Hills’,
faixa do seu VII álbum de originais, “Loom” – nome cujo significado se prende com o
tear de grandes mudanças, não esquecendo as memórias e as pessoas. No entanto, a
banda revelou-se fiel a si mesma ao longo da noite, apenas com uma mudança: pela
primeira vez, a banda apresentou-se em Portugal sem o baterista Daniel Platzman. No
seu lugar, Andrew Tolman, primeiro baterista da banda. Após a abertura, ‘Thunder’ e
‘Bones’ afinaram as gargantas de um Estádio da Luz praticamente lotado.
‘Take Me To The Beach’ foi introduzida por um solo de guitarra sublime de Wayne
Sermon, – o que seria deste guitarrista se não tivesse muitas vezes “preso” às teclas
que a banda precisa de colocar-tocar no concerto? ‘Next To Me’ – também conhecida
por abrir pistas de dança em casamentos – e ‘I Bet My Life’ foram tocadas em formato
acústico, no avançado de um impetuoso palco.
Para a segunda parte do espectáculo estava reservada a constatação que Dan
Reynolds é um “animal de palco”, o mais próximo que possivelmente alguma vez se terá de Mick Jagger. O mesmo Dan Reynolds assumiu a bateria na recta final de
‘Radioactive’, desafiando Andrew Tolman para um duelo. Logo depois, o vocalista
norte-americano assumiu o piano para introduzir um muitíssimo ovacionado
‘Demons’. Sem pausas, houve tempo e espaço para ‘Natural’, numa sequência que
deixou sem fôlego praticamente toda a plateia.
Numa necessária pausa, Dan Reynolds aproveitou não só para agradecer a presença
mas também para explicar que Imagine Dragons significa “proporcionar alegria”,
alertando para a importância da saúde mental, contando o seu próprio exemplo.
‘Birds’ deveria encerrar a noite, não faltasse ‘Believer’ como cereja no topo do bolo.
Talvez Imagine Dragons não seja uma banda feita para multidões imensas, onde a
energia da sua música tende a dispersar-se. Talvez o Estádio da Luz já tenha visto
produções mais condizentes com o estatuto das bandas que recebe. No entanto,
quando se fala de Imagine Dragons fala-se de uma das bandas mais notáveis deste
século. Só isso vale a presença. Sempre.
Alinhamento:
1 – Fire in These Hills
2 – Thunder
3 – Bones
4 – Take Me to the Beach
5 – Shots
6 – I’m So Sorry
7 – Whatever It Takes
Acústico:
8 – Next to Me
9 – I Bet My Life
10 – Bad Liar
11 – Wake Up
12 – Radioactive
13 – Demons
14 – Natural
15 – Walking the 16 – Sharks
17 – Enemy
18 – In Your Corner
19 – Birds
Encore:
20 – Believer
Texto de Diogo Santos.
Fotos de Jorge Pereira.









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