Ron Wood Desfilou Em Lisboa Sem Ficar Na Memória

Pela primeira vez em nome próprio Ron Wood tocou em Portugal. No entanto, não há como esconder que lhe faltou o charme que só junto dos The Rolling Stones consegue ter. Há coincidências que dão que pensar. Um Rolling Stone estrear-se em Portugal no dia de aniversário de Zé Pedro, um dos maiores fãs da banda? Sim, aconteceu. Talvez por isso entre os presentes estivessem João Cabeleira, Kalú e Eduardo Nunes (roadie de Zé Pedro durante 22 anos). Mas desengane-se quem pense que o recinto estava lotado. Longe disso. Muito longe disso. A audiência presente caberia no clubbing do Coliseu – e, em abono da verdade, teria sido bem mais interessante ver um concerto de rock em pé do que sentado – mas o estatuto de Ron Wood assim não o permitiu. Na impossibilidade dos The Rolling Stones seguirem em tournée neste ano – trabalho novo e vontade de o apresentar havia, mas a política de bilheteira que alguns promotores tentaram impor impediu que essa vontade se materializasse em palco – Ron Wood decidiu apresentar-se a solo com o mote de assinalar a data de 60 anos a pisar palcos. Aproveitar para viajar com a família pelo globo de forma mais pacata, trabalhar com alguns amigos de longa data – Andy Newmark (bateria), Johnny Lee Schell (guitarra), Andy Wallace (teclados), Willie Weeks (baixo) e Imelda May e Chanel Haynes nas vozes – e tocar alguns temas que raras vezes tem possibilidade de tocar. Mas “pouco mais” que isso. Com um mero pano de fundo com o cartaz da digressão e jogando à defesa na disposição do palco a ser em tudo igual à utilizada pelos-nos The Rolling Stones (inclusive a configuração da bateria), a verdade é que o guitarrista não sabe ser frontman. E tal foi gritantemente visível nas músicas da banda que integra desde 1981. O alinhamento em si reflectiu a sua carreira-prestígio não só na supra citada banda britânica mas também nos The Faces, bem como as influências blues & soul do septuagenário com Imelda e Chanel a brilharem vocalmente nas versões escolhidas de Jimmy Reed, Tina Turner, Aretha Franklin e Willie Dixon. Em suma, a última data europeia da digressão “Fearless” foi uma noite em que se assistiu a um belo desfile de canções e de músicos, embora tal não tenha significado um concerto para ficar na memória. Alinhamento:It’s Only Rock ‘n’ Roll (but I Like It) (The Rolling Stones)Am I Grooving YouTake It EasyFlying (Faces)Hey Negrita (The Rolling Stones)Seven DaysRemember (Walking in the Sand) (The Shangri‐Las cover)You’re So FineBaby What You Want Me to Do (Jimmy Reed cover)Show Me (Johnny Winter cover)Mystifies MeRiver Deep, Mountain High (Tina Turner cover)Country Honk (The Rolling Stones)Chain of Fools (Aretha Franklin cover)Boogie Disease (Doctor Ross cover)Spoonful (Willie Dixon cover)Ooh La La (Faces)Can’t You Hear Me Knocking (The Rolling Stones) Outlaws Encore:Dust My Room | Black Limo | Beats | Plynth | Gasoline | (solo)Stay With Me (Faces) Fotos: Facebook Ronnie Wood Texto: Diogo Santos

ANASTACIA

#NTK Tour passa por Lisboa Anastacia dá concerto em nome próprio no Sagres Campo Pequeno, no próximo ano, a 27 de outubro de 2026 com a #NTK Tour. Dotada de uma das vozes mais poderosas e reconhecíveis da história da música, a ícone internacional Anastacia iniciou a sua carreira em 1999, tornando-se apenas dois anos depois na “Artista Pop Feminina Estreante Mais Vendida do Mundo”. A voz lendária por detrás de êxitos multiplatinados como “I’m Outta Love”, “Paid My Dues” e “Left Outside Alone” vendeu mais de 30 milhões de discos em todo o mundo, somando mais de 225 prémios em 31 países e #1 em 19 territórios ao longo da sua notável trajetória. Após celebrar o 22.º aniversário do seu single de estreia “I’m Outta Love”, Anastacia embarcou na digressão europeia “I’m Outta Lockdown – The 22nd Anniversary Tour”, que esgotou salas por toda a Europa e no Reino Unido. Em 2023, a artista deu início a um novo capítulo com o lançamento de “Our Songs”, um tributo pessoal às maiores melodias alemãs que descobriu ao longo das suas tournées pela Alemanha — um país que sempre a recebeu de braços abertos, onde já vendeu mais de 3 milhões de álbuns.

JUNGLE no MEO Arena em Lisboa

Jungle estão de passagem em Portugal com um concerto marcado para o dia 24 de outubro, na MEO Arena, em Lisboa. Este espetáculo integra a nova digressão mundial do grupo, que passará por várias cidades da Europa, América do Norte e Austrália. A acompanhar o anúncio, chega também a confirmação do novo álbum: Sunshine, lançado em Agosto e que inclui o single “Carry On”. A nova tour surge num momento de forte afirmação da banda, que tem vindo a esgotar grandes salas como a The O2 Arena e a marcar presença em festivais de referência como o Coachella e o All Points East. Entre os temas mais populares do grupo destacam-se “Volcano” e o seu maior êxito, “Back On 74”. Formados em 2013, em Londres, por Tom McFarland e J Lloyd, aos quais se juntou Lydia Kitto em 2024, os Jungle destacam-se por uma sonoridade que cruza disco moderno, soul e hip-hop, aliada a uma forte componente visual. O álbum de estreia homónimo, lançado em 2014, entrou diretamente para o Top 10 do Reino Unido, feito que voltaram a alcançar com For Ever (2018) e Loving In Stereo (2021). O regresso à capital portuguesa promete, assim, um espetáculo vibrante e cheio de energia, num dos maiores palcos do país.

LAURA PAUSINI

Io Canto World Tour Laura Pausini acaba de anunciar o seu grande regresso com três novidades: um novo single, um novo álbum e a digressão mundial “Io Canto World Tour”, com passagem pela MEO Arena no dia 22 de outubro de 2026. A digressão mundial arrancou a 27 de março de 2026 em Pamplona (Espanha) e passará por Espanha, América Latina, Estados Unidos, Europa e Brasil, antes de regressar a Itália para os grandes concertos em estádios e arenas. Para além dos maiores sucessos da sua carreira, Laura apresentará temas do novo álbum Io Canto 2, a editar nos próximos meses pela Warner Music. O primeiro single, “La Mia Storia Tra Le Dita”, uma reinterpretação do clássico de Gianluca Grignani (1994), foi lançado a 12 de setembro em quatro versões — italiano, espanhol, português e francês — acompanhado de videoclipe realizado por Gaetano Morbioli. Este projeto segue as pegadas do sucesso global do álbum de versões Io Canto, lançado em 2006 em homenagem aos grandes êxitos italianos, dando-lhes a conhecer além-fronteiras. Uma forma de agradecimento ao seu primeiro Grammy Award, que a levou, no ano seguinte, ao seu primeiro triunfante concerto em San Siro. Foi a primeira mulher a alcançar esse marco incrível, na noite de 2 de junho de 2007, perante 70 mil pessoas. “Depois do meu primeiro Grammy americano, decidi agradecer à minha terra natal levando a música italiana que mais amo ao mundo, e foi isso que fiz” — afirma Laura Pausini. Io Canto 2, que, ao contrário do primeiro, será também lançado em espanhol com as canções que mais amo de artistas latinos, representa para mim o resumo da minha profissão, prestando homenagem às canções dos meus ídolos do passado como uma das maiores formas de respeito, colocando-me não em primeiro plano, mas ao serviço da canção — e fazendo-o com orgulho.” Com mais de 75 milhões de discos vendidos, vencedora de Grammy, Latin Grammy, Globo de Ouro e nomeações para os Óscares e Emmy, Laura Pausini é a artista italiana mais internacional de sempre e regressa aos palcos para celebrar mais de 30 anos de carreira com um espetáculo imperdível.

A Tournée “A Placebo 30th Annivesary” começou na Super Bock Arena, espetáculo há muito esgotado

Os Placebo começaram a digressão dos 30 anos de carreira no Porto. A banda comandada por Brian Molko apresentou um alinhamento centrado nos primeiros anos, com músicas retiradas principalmente dos álbuns “Placebo” e “Without You I´m Nothing”. O concerto incluiu o novo tema “Hellen Keller”, lançado no dia do espetáculo, em estreia mundial ao vivo. Além dos seus êxitos, tocaram também os temas “I Feel You” dos Depeche Mode e “Running Up That Hill” de Kate Bush. Fora do Super Bock Arena alguns cartazes a proibir o uso de telemóveis para fotografar ou filmar. Dentro do recinto também alguns avisos, mas houve sempre algumas tentativas de filmagem, como era de esperar. Alguns fãs foram colocados fora da sala. A banda foi formada em Londres pelo vocalista e guitarrista Brian Molko, figura andrógena e pelo guitarrista e baixista Stefan Olsdal em 1994. Em 1996 lançam o álbum “Placebo”, e alcançam um sucesso imediato, principalmente na Europa. Em 1999 regravam “Without You I´m Nothing” com David Bowie, tocando-a juntos ao vivo em Nova Iorque. Bowie foi crucial para o grupo ganhar visibilidade mundial, e Brian Moko refere-se a ele como “um grande amigo e mentor que moldou a sua visão artística”. Moko tem “Bowie” tatuado no braço direito, numa alusão ao álbum “BlackStar”, numa homenagem ao artista falecido em 2016. O concerto foi enérgico e intenso, maravilhando os milhares de fãs. Antes dos aguardados Placebo, Elisabeth Elektra aqueceu o público, e foi uma boa surpresa. A artista escocesa com um Rock simples, com uma forte presença visual no palco encantou os fãs dos Placebo. Alinhamento do concerto no Porto: -Pure Morning-Come Home-You Don’t Care About Us-Teenage Angst-Bionic-Without You I’m Nothing-Allergic (to Thoughts of Mother Earth)-36 Degrees-I Know-Brick Shithouse-Scared of Girls-My Sweet Prince-Hellen Keller-Lady of the Flowers-Bruise Pristine-Nancy Boy Encore-Every You Every Me-I Feel You (Depeche Mode)-Running Up That Hill (A Deal With God) – Kate Bush Fotos e textos: Mário Rui Monteiro @imagemdosom

PLACEBO

Placebo 30th Anniversary Tour Os Placebo anunciam dois concertos em Portugal, que marcam o arranque da digressão da celebração dos 30 anos de carreira. A banda atua a 28 de setembro na Super Bock Arena, no Porto, e a 29 de setembro no Sagres Campo Pequeno, em Lisboa. Celebrando três décadas desde o lançamento do seu revolucionário álbum de estreia, a lendária banda de rock alternativo apresenta Placebo RE:CREATED, uma poderosa reinterpretação do disco que os revelou ao mundo em 1996. O álbum será editado a 19 de junho de 2026. Sobre este momento, a banda afirma: “Esta é uma celebração de onde começámos e o ponto de encontro entre quem éramos e quem somos hoje. É uma forma de honrar essa inocência, enquanto deixamos as canções existir com a dimensão, confiança e energia da banda em que nos tornámos.” Desde a sua estreia em 1996, os Placebo destacaram-se de imediato na cultura rock britânica pela sua estética ambígua, glamorosa e provocadora, desafiando normas tradicionais de género e masculinidade numa altura em que estas questões ainda não faziam parte do debate público. Essa identidade distintiva foi determinante para o sucesso e longevidade da banda, que construiu um percurso sólido e influente ao longo de três décadas. Com a Placebo 30th Anniversary Tour, o grupo embarca numa série de 36 concertos por toda a Europa, apresentando os maiores êxitos dos seus dois primeiros álbuns — Placebo e Without You I’m Nothing — incluindo temas que não são tocados ao vivo há mais de 20 anos. E Portugal é o primeiro país a receber os concertos estrondosos de Placebo, no dia 28 de setembro na Super Bock Arena e no dia 29 de setembro no Sagres Campo Pequeno.

RONNIE WOOD

With his band featuring Imelda May O lendário Ronnie Wood regressa a Portugal para um concerto muito especial no dia 14 de setembro no Coliseu de Lisboa. Guitarrista dos Rolling Stones desde 1975, a paixão de Ronnie Wood pela música começou aos 14 anos quando os seus irmãos lhe ofereceram a sua primeira guitarra acústica. Depois disso, nunca mais parou. Fez parte do grupo The Birds, a sua primeira banda, dos Jeff Beck Group e ainda dos The Face, onde se consolidou mais do que nunca enquanto música e guitarrista. Ainda parte dos The Face, Ronnie Wood lançou a sua carreira a solo com os álbuns I’ve Got My Own Album To Do, em 1974, e Now Look, em 1975, com participações de grandes músicos como George Harrison, Rod Stewart, Bobby Womack e os futuros companheiros de banda Keith Richards e Mick Jagger. Já nos Rolling Stone, onde se tornou uma peça fundamental do som de uma das bandas mais míticas de sempre, formou o supergrupo The New Barbarians e continuou a lançar os seus trabalhos a solo. Em 2025, lançou FEARLESS: THE ANTHOLOGY 1965–2025, uma álbum que percorre os seus 60 anos de carreira e música extraordinárias, e que inclui quatro músicas completamente novas, incluindo “You’re So Fine”. É com essa celebração de carreira que Ronnie Wood chega a Lisboa e atua para os seus fãs no Coliseu de Lisboa a 14 de setembro. Abertura de Portas: 20h00Início do Espectáculo: 21h00

XVIII NOS Alive – Dia III!

O último dia de XVIII NOS Alive começou com uma gigantesca e precoce audiência queviu as amigas Florence Road mostrarem porque são apontadas pelos meiosespecialistas internacionais como o futuro risonho da música. A vocalista Lily Aron expressou o desejo de voltarem no futuro, no palco principal. Paraquem viu o concerto, ficou a certeza que tal será uma questão de tempo. Teddy Swims, juntamente com o seu octeto e demais adereços cénicos deram umconcerto de bastante qualidade, foram os primeiros a esse mesmo palco principal noúltimo dia. O público demasiado disperso prejudicou a actuação. E só mesmo orepescar dos icónico-intemporais sintetizadores de ‘Jump’ (de van Halen) despertou oPasseio Marítimo de Algés para o artista norte-americano extraordinariamente bemsucedido radiofonicamente a nível mundial. Mas até que ponto isso significa aspessoas estarem dispostas a verem um concerto deste? Minutos depois, o início de concerto de Lorde foi estranho. A cantora australianacomeçou a sua apresentação com ‘Royals’, meio que a “despachar”, para depois andarà “luta” com a sua t-shirt. Prestes a fazer 30 anos e apresentando praticamente natotalidade o seu quarto trabalho de estúdio, “Virgin”, o concerto de Lorde foi uma lutaconsigo própria para tentar ser mais que a miúda de ‘Royals’. Ainda não o é. Mas estánum bom caminho para o ser. O conceito de espectáculo esteve totalmente presentenaquilo que Lorde, os seus dois bailarinos e os seus quatro músicos apresentaram. Derealçar a sequência final A sequência final ‘Girl, so confusing’ (que apesar de ter sido lançada por Charli xcx éescrita por si) e ‘Green Light’ foi arrebatadora. No entanto, em termos de espectáculo, nesta edição nada bateu a britânica FlorenceWelch com a sua carismática banda The Machine. Com um alinhamento renovado paraos concertos de Verão, a quase quadragenária conseguiu reunir uma unanimidadeconsenso que o Passeio Marítimo de Algés raras vezes conheceu (a última das vezesfora com Dua Lipa em 2024). A sua terceira passagem pelo festival reuniu não só os êxitos (já) inter-geracionais de“Lungs” e “Cerimonials” – ‘Rabbit Heart (Raise It Up)’ (o seu famoso cover de) ‘You GotThe Love’, ‘Dog Days Are Over’ – como também temas do seu novo trabalho,“Everybody Scream”. Sem sequer precisar de um grande jogo de luzes ou de milvestimentas para lá do seu famoso vestido boudoir vermelho. A habilidade de fazermúsicas profundas com refrões facilmente cantáveis é um dom que lhe é quase único. Para terminar em grande, os Buraka Som Sistema mostraram no Palco NOS que as suasmúsicas não têm necessariamente que ficar presas-esquecidas no passado e que têmum lugar de destaque-relevo no presente. Um pouco à semelhança do que aconteceracom Da Weasel no mesmo palco em 2022. Foi delicioso ver temas como ‘Kalemba(Wegue Wegue)’ a serem recebidos com amor e passos sentidos de dança por todauma geração que nem sequer era nascida quando o tema foi lançado. Fechando as portas da edição XVIII, os Zimmer90 deram um concerto bastanterespeitável no Palco Heineken enquanto o set de fecho do WTF (com algumasmensagens políticas pelo meio) ficou a cargo de Modeselektor. Por último mas não menos importante: falar do NOS Alive a atingir a ‘maioridade’ étambém falar de uma série de pessoas essenciais para que o festival aconteça (comsucesso). Profissionais cuja função se desenrola atrás do pano ou no momento em queeste cai. Desde a Johanna Bond na produção, passando pelo Sebastião Góis no vídeo,pela Raquel Vitória nas redes sociais e até a todo o pessoal (quase) anónimo nalimpeza e segurança, fica aqui o merecido reconhecimento e agradecimento. A culturaportuguesa enriquece substancialmente através da dedicação destes profissionais. Texto de Diogo Santos. Fotografias de Jorge Pereira.

XVIII NOS Alive – Dia II!

O segundo dia de XVIII NOS Alive proporcionou, em plena luz do dia, um pleno recitalde talento feminino. A começar, os Call Me, vencedores do Oeiras Band Sessions, fizeram a audiênciacrescente abanar o capacete entre a feliz reconstrução de ‘Back On Black’ (de AmyWinehouse) e temas de alta qualidade do seu primeiro EP, “Hold The Line”. De notarrealçar a presença em palco e capacidade vocal da vocalista, Ava. De seguida, as mexicanas The Warning fizeram o Passeio Marítimo de Algésestremecer com o seu rock pujante e orelhudo. Ninguém ficou indiferente ao que foiapresentado em palco, nem mesmo aos temas que irão constar no seu primeiro LPtotalmente em inglês, “Everything’s Falling” Na outra ponta do recinto, Picas apresentou no Palco Coreto o seu primeiro LP,“Vendavais” junto da sua imensamente talentosa banda. Com Alex Mey na bateria,Christian Tavares na guitarra e Zé Ganchinho no baixo, a cantora teve perante si amaior plateia do Palco Coreto nesta edição. E fez tudo menos desapontar. Com a fasquia elevada, os Wolf Alice ficaram encarregues de fazer a transição do diapara a noite, numa acção que o público recebeu de forma q.b. Apesar da vocalista efundadora da banda Ellie Rowsell ter feito tudo o que podia para puxar pela audiência,a verdade é que o público estava ali para ver rock n’roll puro e não o melhor da popbritânica. De regresso a Portugal e ao NOS Alive onde não vinham desde 2017, o primeiro acordedos Foo Fighters e a reacção louca do público explicou muito. Não só porque é que abanda prossegue após a morte de Taylor Hawkins mas também o porquê deste dia teresgotado tão rápida e facilmente. David Grohl é o eterno jovem rebelde que tem em sia missão de ser o guardião do bom e velho rock’n’roll nos tempos modernos. Num autêntico desfilar de êxitos onde não faltou ‘All My Life’, ‘The Pretender’, ‘TimesLike These’ e ‘My Hero’, houve ainda tempo e espaço para cada elemento da bandamostrar as suas raízes musicais. O que proporcionou um sempre saudoso – emboratemporário – regresso de Grohl à bateria. Com ‘Best Of You’ e ‘Everlong’ os FooFighters terminaram da melhor maneira a sua tour europeia “Take Cover”. De lamentar, no entanto, os 10 minutos que uma pessoa esteve para ser assistidajunto ao FOH a meio do concerto. Uma situação pontual mas grave que a organizaçãodeve rever e melhorar no futuro para o bem e segurança de todos os que frequentamo recinto. No início do fim da noite, Zara Larsson deambulou entre o aborrecido, o erótico e, porvezes, o espectacular na sua apresentação no Palco Heineken. Se é verdade que temuma voz que seria capaz de a fazer pisar qualquer palco, também é verdade que a suapassagem pelo XVIII NOS Alive respondeu ao porquê disso não acontecer. De realçar apositiva interacção com os fãs que culminou com a subida de Afonso a palco paradançar com a sua ídolo no final de ‘Lush Life’. Para fechar a noite, SBTRKT aproveitou ao máximo a potencialidade-diversidade visualque o Palco WTF oferece para explorar os seus ganchos e groove de maior relevânciano seu set. Texto de Diogo Santos Fotografias de Jorge Pereira.

XVIII NOS Alive – Dia I!

Os The Royston Club deram o tiro de partida no Palco NOS para a celebração dachegada a adulto do festival que viu, desde o primeiro dia, no Passeio Marítimo deAlgés, parte essencial da sua identidade. A banda britânica deu um concerto bastanteinteressante, apesar da fraca assistência. Já os A Perfect Cicle tiveram maior audiência mas, provavelmente, por pura esimplesmente a hora de Nick Cave & Bad Seeds estar a aproximar-se. Foi umaquecimento desadequado. O rock pesado da banda contrastou demasiado com ocabeça-de-cartaz deste Dia I. Apesar do imenso e intenso vento e de ser o único dia sem lotar (e um pouco longedisso), a actuação de Nick Cave & The Bad Seeds apaziguou, de vez, a relação destecom os lisboetas que ele ‘recusara’ visitar durante 20 anos, preferindo sempre opúblico do norte. The Bad Seeds são uma banda excepcional e sem a qual Nick Cavenão teria a carreira que tem, um pouco à semelhança de Bruce Springsteen. Noentanto, é na versão simplista de Nick Cave ao piano em ‘Into My Arms’ que esteencontra(rá) a sua eternidade músico-cultural. O coro uníssono criadoinstantaneamente no Passeio Marítimo de Algés foi (só mais) uma prova disso. A introspecção prosseguiu no Palco Galp Fado Café, com Diana Vilarinho. Mas destafeita com um toque de modernismo que faz bater o pé fazendo jus ao novo LP dafadista, “Uma Carta Escrita”. A voz potente e deslumbrante da fadista pintou-lembrou‘Cotovia’ como a melhor canção deste século feita para o RTP – Festival da Canção. A animação prosseguiu em altas com os Twenty One Pilots que entre fumo, fogo epirotecnia desfilaram os temas mais conhecidos do seu aclamado álbum “Blurryface”.Escalar palcos e FOH começa a tornar-se num hábito e feliz resposta a artistas “damoda”. Depois de Ricky Wilson (vocalista dos Kaiser Chiefs) no XI Rock in Rio Lisboa, foio baterista Josh Dun a escalar o Palco NOS para tocar numa bateria colocada no topopara o efeito para… ‘Drum Show’. Já perto do fim, o segurança de palco Rui subiu ao palco para um dueto no mínimo…caricato! ‘Seven Nation Army’ (dos The White Stripes), música estreada mundialmentepelos ZigZag Warriors no antigo Lux e instantaneamente odiada por quem lá estava,fez as delícias do público que estava tudo menos ‘Stressed Out’ pois o presente é tãobom ou melhor que o passado. Os mexicanos Midnight Generation encerraram o primeiro dia comprovando a ideiaanterior, tirando máximo partido das possibilidades visuais que o Palco WTF oferece,nomeadamente a nível de luzes. Texto de Diogo Santos Fotos de Jorge Pereira/Imagem do Som