O segundo dia de XVIII NOS Alive proporcionou, em plena luz do dia, um pleno recital
de talento feminino.

A começar, os Call Me, vencedores do Oeiras Band Sessions, fizeram a audiência
crescente abanar o capacete entre a feliz reconstrução de ‘Back On Black’ (de Amy
Winehouse) e temas de alta qualidade do seu primeiro EP, “Hold The Line”. De notar
realçar a presença em palco e capacidade vocal da vocalista, Ava.

De seguida, as mexicanas The Warning fizeram o Passeio Marítimo de Algés
estremecer com o seu rock pujante e orelhudo. Ninguém ficou indiferente ao que foi
apresentado em palco, nem mesmo aos temas que irão constar no seu primeiro LP
totalmente em inglês, “Everything’s Falling”

Na outra ponta do recinto, Picas apresentou no Palco Coreto o seu primeiro LP,
“Vendavais” junto da sua imensamente talentosa banda. Com Alex Mey na bateria,
Christian Tavares na guitarra e Zé Ganchinho no baixo, a cantora teve perante si a
maior plateia do Palco Coreto nesta edição. E fez tudo menos desapontar.

Com a fasquia elevada, os Wolf Alice ficaram encarregues de fazer a transição do dia
para a noite, numa acção que o público recebeu de forma q.b. Apesar da vocalista e
fundadora da banda Ellie Rowsell ter feito tudo o que podia para puxar pela audiência,
a verdade é que o público estava ali para ver rock n’roll puro e não o melhor da pop
britânica.

De regresso a Portugal e ao NOS Alive onde não vinham desde 2017, o primeiro acorde
dos Foo Fighters e a reacção louca do público explicou muito. Não só porque é que a
banda prossegue após a morte de Taylor Hawkins mas também o porquê deste dia ter
esgotado tão rápida e facilmente. David Grohl é o eterno jovem rebelde que tem em si
a missão de ser o guardião do bom e velho rock’n’roll nos tempos modernos.

Num autêntico desfilar de êxitos onde não faltou ‘All My Life’, ‘The Pretender’, ‘Times
Like These’ e ‘My Hero’, houve ainda tempo e espaço para cada elemento da banda
mostrar as suas raízes musicais. O que proporcionou um sempre saudoso – embora
temporário – regresso de Grohl à bateria. Com ‘Best Of You’ e ‘Everlong’ os Foo
Fighters terminaram da melhor maneira a sua tour europeia “Take Cover”.

De lamentar, no entanto, os 10 minutos que uma pessoa esteve para ser assistida
junto ao FOH a meio do concerto. Uma situação pontual mas grave que a organização
deve rever e melhorar no futuro para o bem e segurança de todos os que frequentam
o recinto.

No início do fim da noite, Zara Larsson deambulou entre o aborrecido, o erótico e, por
vezes, o espectacular na sua apresentação no Palco Heineken. Se é verdade que tem
uma voz que seria capaz de a fazer pisar qualquer palco, também é verdade que a sua
passagem pelo XVIII NOS Alive respondeu ao porquê disso não acontecer. De realçar a
positiva interacção com os fãs que culminou com a subida de Afonso a palco para
dançar com a sua ídolo no final de ‘Lush Life’.

Para fechar a noite, SBTRKT aproveitou ao máximo a potencialidade-diversidade visual
que o Palco WTF oferece para explorar os seus ganchos e groove de maior relevância
no seu set.


Texto de Diogo Santos


Fotografias de Jorge Pereira.