Os The Royston Club deram o tiro de partida no Palco NOS para a celebração da
chegada a adulto do festival que viu, desde o primeiro dia, no Passeio Marítimo de
Algés, parte essencial da sua identidade. A banda britânica deu um concerto bastante
interessante, apesar da fraca assistência.

Já os A Perfect Cicle tiveram maior audiência mas, provavelmente, por pura e
simplesmente a hora de Nick Cave & Bad Seeds estar a aproximar-se. Foi um
aquecimento desadequado. O rock pesado da banda contrastou demasiado com o
cabeça-de-cartaz deste Dia I.

Apesar do imenso e intenso vento e de ser o único dia sem lotar (e um pouco longe
disso), a actuação de Nick Cave & The Bad Seeds apaziguou, de vez, a relação deste
com os lisboetas que ele ‘recusara’ visitar durante 20 anos, preferindo sempre o
público do norte. The Bad Seeds são uma banda excepcional e sem a qual Nick Cave
não teria a carreira que tem, um pouco à semelhança de Bruce Springsteen. No
entanto, é na versão simplista de Nick Cave ao piano em ‘Into My Arms’ que este
encontra(rá) a sua eternidade músico-cultural. O coro uníssono criado
instantaneamente no Passeio Marítimo de Algés foi (só mais) uma prova disso.

A introspecção prosseguiu no Palco Galp Fado Café, com Diana Vilarinho. Mas desta
feita com um toque de modernismo que faz bater o pé fazendo jus ao novo LP da
fadista, “Uma Carta Escrita”. A voz potente e deslumbrante da fadista pintou-lembrou
‘Cotovia’ como a melhor canção deste século feita para o RTP – Festival da Canção.

A animação prosseguiu em altas com os Twenty One Pilots que entre fumo, fogo e
pirotecnia desfilaram os temas mais conhecidos do seu aclamado álbum “Blurryface”.
Escalar palcos e FOH começa a tornar-se num hábito e feliz resposta a artistas “da
moda”. Depois de Ricky Wilson (vocalista dos Kaiser Chiefs) no XI Rock in Rio Lisboa, foi
o baterista Josh Dun a escalar o Palco NOS para tocar numa bateria colocada no topo
para o efeito para… ‘Drum Show’.

Já perto do fim, o segurança de palco Rui subiu ao palco para um dueto no mínimo…
caricato! ‘Seven Nation Army’ (dos The White Stripes), música estreada mundialmente
pelos ZigZag Warriors no antigo Lux e instantaneamente odiada por quem lá estava,
fez as delícias do público que estava tudo menos ‘Stressed Out’ pois o presente é tão
bom ou melhor que o passado.

Os mexicanos Midnight Generation encerraram o primeiro dia comprovando a ideia
anterior, tirando máximo partido das possibilidades visuais que o Palco WTF oferece,
nomeadamente a nível de luzes.

Texto de Diogo Santos


Fotos de Jorge Pereira/Imagem do Som