O último dia de XVIII NOS Alive começou com uma gigantesca e precoce audiência que
viu as amigas Florence Road mostrarem porque são apontadas pelos meios
especialistas internacionais como o futuro risonho da música.
A vocalista Lily Aron expressou o desejo de voltarem no futuro, no palco principal. Para
quem viu o concerto, ficou a certeza que tal será uma questão de tempo.













Teddy Swims, juntamente com o seu octeto e demais adereços cénicos deram um
concerto de bastante qualidade, foram os primeiros a esse mesmo palco principal no
último dia. O público demasiado disperso prejudicou a actuação. E só mesmo o
repescar dos icónico-intemporais sintetizadores de ‘Jump’ (de van Halen) despertou o
Passeio Marítimo de Algés para o artista norte-americano extraordinariamente bem
sucedido radiofonicamente a nível mundial. Mas até que ponto isso significa as
pessoas estarem dispostas a verem um concerto deste?




















Minutos depois, o início de concerto de Lorde foi estranho. A cantora australiana
começou a sua apresentação com ‘Royals’, meio que a “despachar”, para depois andar
à “luta” com a sua t-shirt. Prestes a fazer 30 anos e apresentando praticamente na
totalidade o seu quarto trabalho de estúdio, “Virgin”, o concerto de Lorde foi uma luta
consigo própria para tentar ser mais que a miúda de ‘Royals’. Ainda não o é. Mas está
num bom caminho para o ser. O conceito de espectáculo esteve totalmente presente
naquilo que Lorde, os seus dois bailarinos e os seus quatro músicos apresentaram. De
realçar a sequência final
A sequência final ‘Girl, so confusing’ (que apesar de ter sido lançada por Charli xcx é
escrita por si) e ‘Green Light’ foi arrebatadora.
No entanto, em termos de espectáculo, nesta edição nada bateu a britânica Florence
Welch com a sua carismática banda The Machine. Com um alinhamento renovado para
os concertos de Verão, a quase quadragenária conseguiu reunir uma unanimidade
consenso que o Passeio Marítimo de Algés raras vezes conheceu (a última das vezes
fora com Dua Lipa em 2024).
A sua terceira passagem pelo festival reuniu não só os êxitos (já) inter-geracionais de
“Lungs” e “Cerimonials” – ‘Rabbit Heart (Raise It Up)’ (o seu famoso cover de) ‘You Got
The Love’, ‘Dog Days Are Over’ – como também temas do seu novo trabalho,
“Everybody Scream”. Sem sequer precisar de um grande jogo de luzes ou de mil
vestimentas para lá do seu famoso vestido boudoir vermelho. A habilidade de fazer
músicas profundas com refrões facilmente cantáveis é um dom que lhe é quase único.















Para terminar em grande, os Buraka Som Sistema mostraram no Palco NOS que as suas
músicas não têm necessariamente que ficar presas-esquecidas no passado e que têm
um lugar de destaque-relevo no presente. Um pouco à semelhança do que acontecera
com Da Weasel no mesmo palco em 2022. Foi delicioso ver temas como ‘Kalemba
(Wegue Wegue)’ a serem recebidos com amor e passos sentidos de dança por toda
uma geração que nem sequer era nascida quando o tema foi lançado.






















Fechando as portas da edição XVIII, os Zimmer90 deram um concerto bastante
respeitável no Palco Heineken enquanto o set de fecho do WTF (com algumas
mensagens políticas pelo meio) ficou a cargo de Modeselektor.
Por último mas não menos importante: falar do NOS Alive a atingir a ‘maioridade’ é
também falar de uma série de pessoas essenciais para que o festival aconteça (com
sucesso). Profissionais cuja função se desenrola atrás do pano ou no momento em que
este cai. Desde a Johanna Bond na produção, passando pelo Sebastião Góis no vídeo,
pela Raquel Vitória nas redes sociais e até a todo o pessoal (quase) anónimo na
limpeza e segurança, fica aqui o merecido reconhecimento e agradecimento. A cultura
portuguesa enriquece substancialmente através da dedicação destes profissionais.
Texto de Diogo Santos.
Fotografias de Jorge Pereira.