Na quarta passagem do cantor italiano por Portugal ficou a certeza de que este
é um dos maiores nomes da música internacional da sua geração.

Após quase 30 anos sem pisar solo português (após os míticos concertos no Estádio do
Restelo em 1994 e 1996), Eros Ramazzotti regressou em 2023 para duas datas no
Pavilhão Atlântico. No fim, prometeu que voltaria em breve. E assim cumpriu.

Perante um Pavilhão Atlântico bastante bem composto – embora ainda um pouco
longe de esgotar, a subida ao palco do italiano ao som de ‘Taxi Story’ deixou logo
evidente dois factos. Primeiro, os anos parecem não passar por Ramazzotti que
mantém o seu ar e espírito joviais. E, depois, que os fãs da fila dianteira não queriam
estar sentados.

O mote deste concerto foi o seu novo trabalho, ‘Una Storia Importante’, LP que
celebra os 40 anos de carreira do artista, deambulando entre novos registos e
regravações de temas antigos. Deste novo álbum ouviram-se apenas duas canções,
‘Adesso Tu’ e o próprio tema-título. Ambas as faixas são responsáveis pelo sucesso que
hoje lhe é reconhecido visto que foi através de ambas que Eros se destacou no já
longínquo Festival de Sanremo (em 1985 e em 1986).

As duas horas de concerto acabaram por ser, de facto, uma viagem por quatro décadas
ligados à música, havendo tempo e espaço para falar de amor, desamor, guerra e paz.
Mas não só. Houve tanto ou mais tempo para a banda que o acompanha mostrar todo
o seu talento, em momentos escolhidos a dedo pelo próprio. Zoe Ranno deu uma
profundidade celestial a ‘I Belong To You’, Monica Hill interpretou brilhantemente
‘Piu’Che Puoi’, Sara Deop mostrou todo o seu talento em ‘La Luce Buona Delle Stelle’,
não esquecendo os fantásticos solos de saxofone de Marco Scipione e de guitarra de
Giorgio Secco e Antonio Cirigliano (fora os do próprio Eros em ‘Stella Gemella’ e ‘Se
Bastasse’). Tudo suportado por (um carismático) Brian Frasier Moore na bateria,
Ramón Montagner nas percussões, Alessandro Lopane nas guitarras e vocais de apoio,
Paolo Costa no baixo, Christian Rigano nos teclados e Luca Scarpa no piano e direcção
musical. No fundo, a missão de Eros Ramazzoti é simples: ser uma mais-valia para
quem o rodeia, seja quem trabalha com ele, seja público.

O último facto talvez explique o inusitado que aconteceu já na recta final do concerto.
Os assistentes de sala do pavilhão tinham instruções claras de que o espectáculo era
com lugares sentados e que, quem tentasse juntar-se junto ao palco, devia ser
reconduzido ao seu lugar – com excepção para a já citada fila dianteira. Após uma
dessas tentativas, Eros fez um mero sinal e o seu segurança pessoal saiu de junto do
artista, dirigindo a uma das assistentes de sala pedindo para que tal recondução
parasse e que a aproximação do público junto do palco fosse permitida sem restrições.
O que se viu a partir daí foi mágico: uma incontável troca de sorrisos, fotos,
cumprimentos e todos os pedidos de palheta a serem atendidos pelo artista
(literalmente todos). Eros Ramazzoti provou-comprovou ser um artista do público.

À chegada do tema-maior da noite, ‘Più Bella Cosa’, não havia uma única alma
sentada. Havia, sim, cerca de doze mil almas completas e felizes com o que tinham
presenciado.

Poderia haver melhor maneira para encerrar a digressão europeia de ‘Una Storia
Importante’?

ALINHAMENTO
 TAXI STORY
 QUANTO AMORE SEI
 UN CUORE CON LE ALI
 UN’ EMOZIONE PER SEMPRE
 I BELONG TO YOU
 STELLA GEMELA
 ADESSO TU
 UNA STORIA IMPORTANTE
 PIU’CHE PUOI
 DOVE C’E’ MUSICA
 LA LUCE BUONA DELLE STELLE
 SE BASTASSE
 MUSICA E’
 UN’ALTRA TE
 UN ATTIMO DI PACE
 TERRA PROMESSA
 FUOCO NEL FUOCO
 COSE DELLA VITA

 UN ANGELO DISTESO AL SOLE (solo)
 PIÙ BELLA COSA