Olivia Rodrigo É Um Seguro de Vida ao Rock!

O primeiro dia de XVII ficou marcado pela prova-viva de que as guitarras com distorção
continuam a merecer a confiança de quem se desloca a um recinto para ouvir música.

Galeria Completa “Green Leather” aqui:

A XVII edição do NOS Alive começou com o ponto negativo de ser a primeira edição
sem nenhum nome português a figurar no palco principal. Não obstante de 71 dos 112
artistas presentes em todo o cartaz serem portugueses.

Galeria Completa “Bad Nerves” aqui:

Depois de Mark Ambor estrear o palco principal, coube a Benson Boone testar pela
primeira vez as vozes de um recinto desde cedo lotado para assistir à jovem prodígio
Olivia Rodrigo. Em ‘Mr Electric Blue’ o artista norte-americano lembrou que havia
acabado de lançar disco novo – “American Heart”. Desse novo trabalho consta
‘Mystical Magical’, cantada logo de seguida. O refrão desse tema melodicamente é
igualzinho a ‘Physical’ da Olivia Newton-John, de 1981 – oxalá tenha creditado a
falecida cantora, ao menos.

Galeria Completa “Mark Ambor” aqui:

Para animar as hostilidades, Benson Boone protagonizou, ainda, um momento à
Freddie Mercury. Bom, não precisava. O corte do seu bigode é igual à do malogrado
vocalista dos The Queen. Em ‘In The Stars’, o cantor pediu para as pessoas arrumarem
o telemóvel na música feita sobre a morte da sua avó. Mas foi quando as pessoas mais
pegaram nele.

Numa voz igual à de Damiano David, com algumas expressões de Ed Sheeran,
‘Beautiful Things’ encerrou o concerto de um Benson Boone cuja identidade própria
ainda está em construção. Entre o cantar no mar de gente que surpreendentemente o
esperava e mortais na hora de deixar o piano de lado, o norte-americano deixou tudo
em palco. E até fora dele – à saída parou para assinar o vinil do fã.

Galeria Completa “Benson Boone” aqui:

No palco Heineken, Barry Can’t Swim presenteou os festivaleiroS com um DJ
constituído por uma parte cénica interessante-cativante.

“Barry Can´t Swim”

De volta ao palco principal, Noah Kahan mostrou ser um erro de casting. Com um palco
principal imensamente despido, a energia deixada por Benson Boon dispersou-se,
numa clara certeza que Noah Kahan poderia ter o concerto perfeito… mas para o palco
Heineken. Um pouco à semelhança do que sucedeu com Benjamin Clementine na
edição transacta.

Galeria Completa ” Noah Kahan” aqui:

Pelo palco WTF, Iolanda Costa desfilou o seu vestido de noiva, a sua ambição de selar
matrimónio com a sua namorada e todo o seu talento. Carolina Deslandes subiu a
palco para cantar com a vencedora do Festival da Canção de 2024 ‘Tento na Língua’
numa hora ingrata. Isto porque quase todo o recinto já se posicionava para ver e ouvir
Olivia Rodrigo. Ainda assim, Iolanda deixou tudo em palco num concerto interessante,
pese embora falte algo à artista portuguesa. Talvez mais palco.

“Iolanda”

Depois de ter sido cabeça-de-cartaz em Glastonbury, Olivia Rodrigo aterrou no Passeio
Marítimo de Algés com um espectáculo bastante bem oleado – à semelhança do que
aconteceu com Dua Lipa o ano passado. O público que lotava o recinto mostrou-se
imensamente conhecedor de uma obra da jovem artista de 21 anos eu, directa ou
indirectamente, vai buscar muitos traços à era “1989” de Taylor Swift.

A sua experiência enquanto estrela da Disney faz com que o concerto de Olivia Rodrigo
se faça, também, muito do contacto visual. Em 90 minutos de espectáculo a norte
americana tocou guitarra eléctrica, guitarra acústica e piano não com confiança mas
também com felicidade. Afinal de contas, todas as músicas lançadas pela artista são da
sua própria autoria como também estar em palco sempre foi o seu sonho.

Vai ser interessante ver a evolução da poética de Olivia Rodrigo visto que a mesma
está ainda muito segmentada à sua fase de adolescente. Até ver, a artista é um seguro
de vida (saudável) ao rock!

Com uma t-shirt com versos daquilo que será um dos temas do seu terceiro álbum de
originais, Olivia Rodrigo despediu-se do público português com ‘all-american bitch’ –
cujo refrão é igual a ‘Star All Over’ de Miley Cyrus, ‘good 4 you’ e ‘get him back’, para
imensa satisfação dos presentes.

Galeria Completa “Glass Animals” aqui:

Para o fim de festa, Nathy Peluso subiu ao palco Heineken. A argentina entregou um
espectáculo absolutamente divinal, cujo ponto negativo foi mesmo o pouco público
que sobrou para testemunhar tal obra-de-arte.

Galeria Completa “Parov Stelar” aqui:

Texto de Diogo Santos.

Fotografias de Jorge Pereira.