XVII NOS Alive – DIA III

Queremos Ser Adolescentes Para Sempre Dez anos depois os Muse aterraram no NOS Alive à última da hora para salvar oterceiro dia e a própria edição do festival. “Liquen” O terceiro e último dia de XVII NOS Alive começou com CMAT no palco principal. Ameio do concerto, a artista irlandesa aproveitou para apresentar ‘Running/Planning’,‘Take a Sexy Picture of Me’ e ‘The Jamie Oliver Petrol Station’, temas que irão constarno seu terceiro álbum de originais, “EURO-COUNTRY”. Galeria Completa “Dead Poet Society” aqui: Apesar do público estar ainda algo disperso, o two-step pedido pela artista em ‘I Wanna Be A Cowboy, Baby!’. Para fechar a apresentação, houve ‘Stay For Something’ com CMAT a juntar-se literalmenteao público e, numa loucura total, cantou os últimos refrões no meio e com a multidão. Momentos para mais tarde recordar pelos presentes! Galeria Completa “Cmat” aqui: Já no palco Heineken, os Bright Eyes não deixaram assim tantos momentos para maistarde recordar. Talvez o terem estado 30 anos para vir a Portugal tenha a justificaçãono concerto que apresentaram. Se foi mau? Não. Mas foi só isso. Um concertoinsípido, sem qualquer ponto de destaque. Galeria Completa “Bright Eyes” aqui: De volta ao palco principal, os Jet regressaram a Portugal e ao festival depois de umhiato de 15 anos. Com o rock pujante e orelhudo com que habituaram os seusouvintes, a banda australiana não deixou para o fim ‘Are You Gonna Be My Girl’, o seutema-maior que já leva 22 anos de existência. Entre os presentes, fizeram-se contas ehouve um desejo de se querer ser adolescente para sempre. Desejo esse que voltariano final da noite. Galeria Completa “Muse” aqui: Antes disso, os Muse voltaram, também 15 anos depois, ao NOS Alive. Tal como noconcerto anteriormente dado em Portugal, desta feita a banda também veio emsubstituição de outro artista. Se em 2022 os Muse substituíram os Foo Fighters noRock in Rio, desta feita os substituídos foram os King Of Lion. Galeria Completa “Amyl And The Sniffers” aqui: Com Christopher Wolstenholme a vestir a camisola da selecção nacional com o nome enúmero de Diogo Jota, Portugal recebeu a banda norte-americana como poucos paísessabem receber. Como prova de tal lealdade, a base de fãs portuguesa praticamentelotou o Passeio Marítimo de Algés, algo que seria quase impensável com os King OfLion. Sem chuva como aquando da passagem pelo Rock in Rio em 2022 e com maissimpatia-empatia pelo público, o alinhamento de 22 músicas não trouxe surpresas atéporque, para todos os efeitos, esta acabou por ser a última data da tournée europeiada banda. Apesar disso, Matt Bellamy está com uns quantos tiques de diva oriundos da suamudança para os EUA em 2010. Ainda assim, ‘Starlight’ continua a ser um dos grandetemas rock feito no novo século. No palco secundário, a dificuldade no concerto de Foster The People foi arranjar umespaço para ver o concerto. O ambiente criado no palco Heineken fez lembrar asactuações dos Parcels onde, por mais quê se aumente a capacidade do recintoadjacente ao palco, fica sempre alguém de fora. A banda norte-americana aproveitouo seu regresso a Portugal para apresentar parte daquele que é o seu IV e mais recentetrabalho de originais – “Paradise State Of Mind” (2024). No entanto, o melhor estavareservado para o fim. ‘Pumped Up Kicks’ foi cantado em uníssono entre a banda e umpúblico que ali voltou a ser adolescente. E que, por músicas como esta, o quer ser parasempre. Galeria Completa “Foster The People” aqui: No fechar de hostilidades do palco principal, Nine Inch Nails desfilaram os seusmelhores temas de quase quatro décadas de estrada, num alinhamento cujos últimostrês trabalhos de estúdios em nenhum tema foram contemplados. Tal como napassagem pelo festival em 2018, ‘Head Like A Hole’ e ‘Hurt’ fecharam o concerto comuma energia muito similar àquela que se encontra num concerto de Foo Fighters. No fecho do palco Heineken, os Future Islands criaram um ambiente interessantecomo os antecessores Foster The People. Mas com um menor entusiasmo! Tal comoos Nine Inch Nails, foi um bom regresso a Portugal oito anos depois. Para o fim de festa, estavam reservados os Franc Moody. Na primeira vez enquantotrio, a banda viu Jon Moody ingressar no baixo (também) pela primeira vez. A bandainglesa tocou três temas do seu novo trabalho de originais – “Chewing The Fat”perante uma audiência com um número muito razoável de pessoas – especialmentetendo em linha de conta que o concerto decorreu às 03h00 da manhã. Uma boamaneira de encerrar o palco Heineken e o festival. Fica o desejo de voltar em 2026 e o agradecimento da Imagem do Som à organização(e em especial à Johana Bond) por sermos sempre recebidos e tratados no NOS Alivecom carinho, dignidade e respeito. Bem-haja! Texto de Diogo Santos. Fotografias de Jorge Pereira.
XVII NOS Alive – Dia II

Um Estranho Dia No Passeio Marítimo de Algés Depois de um primeiro dia onde a deslocação no recinto era difícil de tão lotado queeste estava, o segundo dia foi um absoluto e estranho inverso. Galeria Completa “Alta Avenue” aqui: O dia no palco principal começou com uma girl In Red que até no público mergulhou.De seguida, Thye Wombats subiram a esse mesmo palco. À entrada, pediram desculpapor não ser Sam Fender – de recordar que o artista britânico teve que cancelar oconcerto à última da hora por problemas nas cordas vocais. Galeria Completa “Mother Mother” aqui: Com dois LP’s lançados nos últimos anos, de “Oh! The Ocean” (2025) ouviu-se logo otema de abertura, ‘Sorry I’m Late, I Didn’t Want to Come’. De “Fix Yourself, Not theWorld” (2022) começou-se por ouvir ‘Ready For The High’, tema onde a bandabritânica viu o palco invadido pelo… próprio tour manager… fingindo tocar trompete…vestido de wombat! Galeria Completa “Girl In Red” aqui: A acapela ‘Tales of Girls, Boys and Marsupials’ deu início à segunda parte do concertoque teve direito… a duas músicas sobre limões – ‘Pink Lemonade’ e ‘Lemon to a KnifeFight’. A despedida fez ao som de ‘Let’s Dance to Joy Division’, single do primeiroálbum da banda, na promessa de não demorarem 12 anos a voltarem a Portugal. Galeria Completa “The Wombats” aqui: Já com a noite posta, Justice subiu ao palco principal. Foi um bom DJ set, com boa luz,mas com os sons graves demasiado altos. Ainda assim, o principal problema foi outro:a gritante ausência de público. Foi, provavelmente, o concerto com menor audiênciade sempre no palco principal do Alive. Galeria Completa “The Backseat Lovers” aqui: De seguida, Anyma tomou as rédeas do palco NOS. O jogo-espectáculo de luzes que oítalo-americano trouxe para o Passeio Marítimo de Algés foi de cortar a respiração.Mas, após uma hora set começou a haver dispersão no pouco público presente – nãose contaram mais de 17 mil pessoas no recinto ao longo do dia. Pode um DJ ser ocabeça-de-cartaz de um festival? Um DJ trabalha, remistura e transita música outroracriada. Música essa que o NOS Alive sempre ajudou a repercutir e a gerar mais música.Tal deve ser motivo de reflexão. Galeria Completa “The Teskey Brothers” aqui: Para fechar a noite St. Vincent assumiu as devidas responsabilidades no palcoHeineken. Num alinhamento maioritariamente composto por temas do seu VII e maisrecente trabalho de originais – “All Born Screaming” (2024), apenas o primeirotrabalho da artista (“Marry Me”, 2007) não teve temas no alinhamento num concertocheio de energia e sedução. Depois de mergulhar no público, a artista ofereceu temporariamente a sua guitarraeléctrica em ‘All Born Screaming’, tema com que fechou uma actuação arrepiante. St.Vincent é, sem sombra de dúvidas, uma Deusa dos espectáculos ao vivo actualmente. Galeria Completa “Finneas” aqui: DJ Sammy Virji no palco Heineken e DJ Boring no palco WTF entregaram sets nadaaborrecidos na hora de deixar um estranho dia no Passeio Marítimo de Algés. Texto de Diogo Santos. Fotografias de Jorge Pereira.
XVII NOS Alive – Dia I

Olivia Rodrigo É Um Seguro de Vida ao Rock! O primeiro dia de XVII ficou marcado pela prova-viva de que as guitarras com distorçãocontinuam a merecer a confiança de quem se desloca a um recinto para ouvir música. Galeria Completa “Green Leather” aqui: A XVII edição do NOS Alive começou com o ponto negativo de ser a primeira ediçãosem nenhum nome português a figurar no palco principal. Não obstante de 71 dos 112artistas presentes em todo o cartaz serem portugueses. Galeria Completa “Bad Nerves” aqui: Depois de Mark Ambor estrear o palco principal, coube a Benson Boone testar pelaprimeira vez as vozes de um recinto desde cedo lotado para assistir à jovem prodígioOlivia Rodrigo. Em ‘Mr Electric Blue’ o artista norte-americano lembrou que haviaacabado de lançar disco novo – “American Heart”. Desse novo trabalho consta‘Mystical Magical’, cantada logo de seguida. O refrão desse tema melodicamente éigualzinho a ‘Physical’ da Olivia Newton-John, de 1981 – oxalá tenha creditado afalecida cantora, ao menos. Galeria Completa “Mark Ambor” aqui: Para animar as hostilidades, Benson Boone protagonizou, ainda, um momento àFreddie Mercury. Bom, não precisava. O corte do seu bigode é igual à do malogradovocalista dos The Queen. Em ‘In The Stars’, o cantor pediu para as pessoas arrumaremo telemóvel na música feita sobre a morte da sua avó. Mas foi quando as pessoas maispegaram nele. Numa voz igual à de Damiano David, com algumas expressões de Ed Sheeran,‘Beautiful Things’ encerrou o concerto de um Benson Boone cuja identidade própriaainda está em construção. Entre o cantar no mar de gente que surpreendentemente oesperava e mortais na hora de deixar o piano de lado, o norte-americano deixou tudoem palco. E até fora dele – à saída parou para assinar o vinil do fã. Galeria Completa “Benson Boone” aqui: No palco Heineken, Barry Can’t Swim presenteou os festivaleiroS com um DJconstituído por uma parte cénica interessante-cativante. “Barry Can´t Swim” De volta ao palco principal, Noah Kahan mostrou ser um erro de casting. Com um palcoprincipal imensamente despido, a energia deixada por Benson Boon dispersou-se,numa clara certeza que Noah Kahan poderia ter o concerto perfeito… mas para o palcoHeineken. Um pouco à semelhança do que sucedeu com Benjamin Clementine naedição transacta. Galeria Completa ” Noah Kahan” aqui: Pelo palco WTF, Iolanda Costa desfilou o seu vestido de noiva, a sua ambição de selarmatrimónio com a sua namorada e todo o seu talento. Carolina Deslandes subiu apalco para cantar com a vencedora do Festival da Canção de 2024 ‘Tento na Língua’numa hora ingrata. Isto porque quase todo o recinto já se posicionava para ver e ouvirOlivia Rodrigo. Ainda assim, Iolanda deixou tudo em palco num concerto interessante,pese embora falte algo à artista portuguesa. Talvez mais palco. “Iolanda” Depois de ter sido cabeça-de-cartaz em Glastonbury, Olivia Rodrigo aterrou no PasseioMarítimo de Algés com um espectáculo bastante bem oleado – à semelhança do queaconteceu com Dua Lipa o ano passado. O público que lotava o recinto mostrou-seimensamente conhecedor de uma obra da jovem artista de 21 anos eu, directa ouindirectamente, vai buscar muitos traços à era “1989” de Taylor Swift. A sua experiência enquanto estrela da Disney faz com que o concerto de Olivia Rodrigose faça, também, muito do contacto visual. Em 90 minutos de espectáculo a norteamericana tocou guitarra eléctrica, guitarra acústica e piano não com confiança mastambém com felicidade. Afinal de contas, todas as músicas lançadas pela artista são dasua própria autoria como também estar em palco sempre foi o seu sonho. Vai ser interessante ver a evolução da poética de Olivia Rodrigo visto que a mesmaestá ainda muito segmentada à sua fase de adolescente. Até ver, a artista é um segurode vida (saudável) ao rock! Com uma t-shirt com versos daquilo que será um dos temas do seu terceiro álbum deoriginais, Olivia Rodrigo despediu-se do público português com ‘all-american bitch’ –cujo refrão é igual a ‘Star All Over’ de Miley Cyrus, ‘good 4 you’ e ‘get him back’, paraimensa satisfação dos presentes. Galeria Completa “Glass Animals” aqui: Para o fim de festa, Nathy Peluso subiu ao palco Heineken. A argentina entregou umespectáculo absolutamente divinal, cujo ponto negativo foi mesmo o pouco públicoque sobrou para testemunhar tal obra-de-arte. Galeria Completa “Parov Stelar” aqui: Texto de Diogo Santos. Fotografias de Jorge Pereira.
Noite de Punk e Skate Punk no RCA Club: MEDO, Suspeitos do Costume e Authority Zero

Ontem, dia 15 de julho de 2025, o RCA Club em Lisboa recebeu um concerto com as bandas MEDO, Suspeitos do Costume e Authority Zero, numa noite marcada pela diversidade sonora desde o hardcore até ao skate punk. A abrir a noite às 21h, os MEDO trouxeram um hardcore algarvio intenso com riffs agressivos e letras com forte mensagem sociopolítica, mantendo o público em movimento desde o início. Som cru e direto, exatamente o que se espera de uma banda assim. Galeria completa aqui: Os Suspeitos do Costume entraram por volta das 21h45 e lançaram três temas marcantes: “Momento”, “Remar Contra a Maré” e “Consciência”. A banda de punk rock originária de Odemira, demonstrou a sua habitual energia e a capacidade de cativar o público que cantou em uníssono e saltou, provando a ligação forte que a banda mantém com os seus fãs ao longo dos anos. Galeria completa aqui: O clímax da noite chegou com os Authority Zero que já comemoraram 30 anos de existência. Pela primeira vez no nosso país, a banda de skate punk do Arizona, EUA, incendiou o RCA Club com a sua mistura contagiante de punk rock, ska e reggae. Set repleto de clássicos como “One More Minute” ou “Revolution” com o vocalista Jason DeVore a liderar a banda com um carisma inegável, interagindo constantemente com o público, como sempre, um ponto alto, especialmente numa casa íntima como o RCA Club. Em suma, a noite foi uma combinação de estilos e gerações do rock alternativo e punk, com a estreia em Portugal dos Authority Zero a criar um ponto alto da noite, enquanto Suspeitos do Costume e MEDO reforçaram a riqueza da cena musical portuguesa contemporânea. Galeria completa aqui:
IV MEO Kalorama

Dia III: Nem Damiano David Salvou O Festival Depois de dois dias onde a ausência de público e onde poucos foram osmomentos positivamente memoráveis, o último dia tinha em Damiano Daviduma esperança ao fundo do túnel. Não há duas sem três. Por isso, o último dia de IV Meo Kalorama foi iniciado no PalcoSan Miguel ao som dos BADBADNOTGOOD. A banda canadense revelou não só ser amaneira perfeita de passar-desfrutar do pôr-do-sol, como ainda trouxe à memóriarecordações felizes dos Vulfpeck no XXVIII Super Bock Super Rock e dos ExpressoTransatlântico no IX Festival F. O concerto em si ilustrou um dos principais apanágiosda música. Um local de encontro. Entre a bebida e a troca de impressões entre quemvai a concertos acompanhado. De seguida, Noga Erez subiu ao palco principal com o mote de apresentar temas doseu mais recente LP, “The Vandalist”. No entanto, esta revelou ser mais um erro decasting no que diz respeito ao palco e ao respectivo horário – além do mais, a piadafeita à imprensa não teve propriamente graça. Uma vez mais houve um zeroaproveitamento das condições cénicas do palco, especialmente numa transição entredia e noite que pode, quando o artista quer, ser algo autêntico. Como pontos positivos, de destacar a menção que a artista fez à tradução do concertopara Língua Gestual Portugal (a única a fazê-lo durante todo o festival) e a entrega daisraelita foi de louvar. Mas insuficiente pois a maior parte do que se ouviu foi atravésde faixas pré-gravadas… e o público deslocou-se para ver um concerto ao vivo. Numaedição que alterou de data para fazer face às dificuldades de contratar artistas, fica noar a questão se não teria sido mais fácil promover um intercâmbio entre artistasportugueses e espanhóis. Considerando não só que o festival tem a sua versãomadrilena mas também que o festival provou que audições no Spotify (e similares) nãovendem propriamente bilhetes. No Palco San Miguel, os Royel Otis foram sublimes-eficazes no seu objectivo. No ecrã,a simplicidade variou entre o nome das canções e as letras das mesmas, numa claramensagem de que o objectivo era a sintonia e a festa, por conseguinte. No palco, Royel e Otis entregaram-se ao público naquele que foi, até melhor leitura, o melhorconcerto da IV edição. O recinto do palco secundário completamente lotado pelaprimeira vez talvez corrobore tal. Na recta final desta edição, Jorja Smith deu espectáculo, junto da sua belíssima banda,mas não deu Kalor(ama) ao público. O seu R&B a la Alicia Keys teria sido perfeito parao término do pôr-do-sol, não para o consolidar de uma noite que voltou a não superaros 10 mil presentes. No fechar das hostilidades dos palcos secundários, Branko apresentou-se com o seunovo trabalho, “Soma”. Como principal novidade, o português apresentou Inia e Bokorcom backing vocals. O timbre inconfundível desta última foi uma delícia de se ouvir.Como prenda à inspiração da maior parte da sua música, Branko preparou um setjunto do público. Aí, a recuperação do beat imbatível-infalível de ‘Kalemba’ (dossaudosos Buraka Som Sistema) foi o ponto-alto de um set que se revelou demasiadolongo, com o público lentamente a preparar-se para Damiano David. Uma ida rápida à distante zona de imprensa fez perder o começo do mais aguardadoconcerto desta edição. Afinal de contas, era a estreia a solo do vocalista dos Måneskinem território europeu. Apresentando o seu LP de estreia, “Funny Little Fears”, oitaliano socorreu-se de versões de ‘Nothing Breaks Like a Heart’ (de Mark Ronson) e de‘Too Sweet’ (de Hozier) para completar o alinhamento. Este segundo cover foijustificado pelo mesmo como um “recado aos haters” que dizem que a sua novaversão dele não é suficientemente rock. No entanto, embora com uma maiorsofisticação, o que apresentou em Lisboa permanece rock. Esta sofisticação conseguecamuflar bem o facto de ele não estar habituado a ser o centro das atenções. NosMåneskin esse papel pertence a Victoria di Angelis. ‘Tango’ e ‘Born With a Broken Heart’ foram cantadas pela audiência que viu o artistaitaliano vestir a camisola da selecção portuguesa com o nome e número de CristianoRonaldo estampados. Gritou o mítico “Sim” do futebolista português para depoisexplicar o lugar escuro que o levou a compor este disco – ‘Solitude’. Talvez a maneiraperfeita de finalizar-simbolizar esta edição. Amarga. Foram 45 minutos cativantes mas a apresentação de um cabeça-de-cartaz jamais podeter só essa duração. Para a memória desta edição ficam algumas memórias muitointeressantes-felizes, outras nem tanto. Mas fica, sobretudo, a interrogação se nãoterá sido a despedida definitiva do festival do panorama nacional. Oxalá que não. Texto de Diogo Santos. Fotos da Organização do Festival
IV MEO Kalorama

Dia II de Uns Scissor Sisters A Salvarem O Festival Depois de um primeiro dia onde a ausência de público foi notória-desoladora, osegundo dia não se perspectivava melhor. Mas houve uns Scissor Sisters asalvarem tudo e todos: inclusive o festival. Tal como no dia anterior, o dia no IV MEO Kalorama começou no Palco San Miguel cujobelo design este ano ficou a cargo de Malibu Ninjas (Underdogs). Em palco, osModel/Actriz viram o vocalista Cole Haden “atirar-se” para o meio do público umasquantas vezes na tentativa de animar as hostilidades. Muitos saltos no meio de algunsfãs. Mas talvez nem esses tenham percebido o que ali se passou. Um concerto cujoúnico adjectivo que se pode utilizar é “terrível”. No ar fica a questão… como é que umabanda de tão fraca qualidade pode ter lugar num grande festival como o MEOKalorama? De seguida, mais questões se levantaram. Azelia Banks subiu ao no palco principalapenas com o seu DJ. Sem lançar nenhum LP há quase uma década, a apresentaçãorevelou-se como a noite: fria. Não terá esta artista sido colocada no palco errado, àhora errada? Logo depois, Boy Harsher entregaram um espectáculo de electrónica do mais altonível. No entanto, entre os presentes – que novamente não superaram as 10 milpessoas – ficou a sensação de que o espectáculo foi colocado no paco errada, à horaerrada. Uma vez mais. Por volta da meia-noite, os Scissor Sisters subiram a palco. Agora sem Ana Matronic eapós mais de uma dúzia de anos de ausência, a banda norte-americana celebrou ovigésimo aniversário do seu álbum homónimo de estreia da melhor maneira. OsScissor Sisters têm na famosa actriz Bridget Barkan a substituta ideal para AnaMatronic. Para adoçar essa perfeição, Barkan estava a celebrar o seu 45º aniversário e“jogou” praticamente tudo fora, dos sapatos à roupa. Sacou, inclusive, um ‘bico dacartola’. Perdão, coelho. Os presentes perceberam a referência. “I Don’t Feel LikeDancin’” foi a cereja no topo de um bolo de grande qualidade, da sonoridade, àperformance e à parte cénica. O mesmo não se pode dizer dos artistas que finalizaram a noite. Com a expectativaelevada, Róisín Murphy conseguiu o impensável. Após várias mudanças de roupa, airlandesa finalmente lançou ‘Sing It Back’ (dos seus tempos de Moloko), o seu únicotema com sucesso relevante. Mas, imagine-se… Das mil e uma versões que esse tematem, a cantora conseguiu não só apresentar uma versão nada que nada que ver com asconhecidas como também destruir a essência da canção. Em vez de fazer aquele riff deguitarra que, embora básico, é orelhudo, o guitarrista foi colocado a tocar precursão.Resultado? O público dispersou para nunca mais voltar. Lamentável. Para fechar a noite, FKA Things apresentou um espectáculo dividido em três actos. Estamostrou ser uma “versão melhorada” de Doja Cat, no entanto, o que apresentourevelou-se demasiado cinematográfico. A frase proferida pela britânica “I’m single,ready to mingle” revelou-se inexplicável e até infeliz, visto que é do conhecimentopúblico que a mesma se encontra não só num relacionamento como tem um processojudicial a decorrer contra um dos seus antigos companheiros. Em termos práticos, paralá da lindíssima voz soprano, pouco ou nada é feito ao vivo. É tudo pré-gravado. Talmerece ser cabeça-de-cartaz de um festival? Camila Cabello (quase) foi cancelada pormenos – injustamente diga-se. Talvez a venda de bilhetes fale por si. E ela foi pouca. Para fechar a noite, FKA cantou ‘Cellophane’ com uma melodia de piano tocada aovivo de cortar a respiração. Problema? O pianista teve direito a um total de 0 segundosde atenção. Nem um foco de luz. Uma pena. Texto de Diogo Santos. Fotos da Organização do Festival
IV MEO Kalorama

Dia I & Um Recinto Quase Vazio Difícil de Esquecer A 4ª edição do MEO Kalorama arrancou com a curiosidade de como seria aadesão do público após uma edição anterior agridoce e um cartaz com váriosnomes a figurar em Glastonbury mas sem um nome gigante como outrora. Os Cara de Espelho foram o primeiro nome a captar a real atenção do público.Apresentando o seu disco homónimo de estreia, a banda conseguiu alertar, comsucesso, que o sentido crítico sob tudo o que nos rodeia nunca foi tão importante. De seguida, Father John Misty mostrou que o seu mais recente trabalho,“Mahashmashana”, é um LP interessante. Mas cometeu o pecado fatal de nãoaproveitar a transição do dia para a noite. Com pouco público no recinto – não se contaram mais de 10 mil pessoas ao longo dodia, o espectáculo de Sevdaliza em nada ajudou à causa. O espectáculo, se é que lhepodemos assim chamar foi, no mínimo, estranho. E por aqui é melhor ficar. Por fim, o nome maior da noite. Os Pet Shop Boys apresentaram-se em grande forma,não desfazendo o alinhamento-base da sua actual digressão “Dreamworld – TheGreatest Hits Live”. O pouco público, com algumas excepções, foi oriundo de trêsvariantes. Pessoas nascidas na década de 60 e 70, frequentadores do bar Jamaica ealguns jovens adultos que em crianças ousaram pegar nos vinis dos pais algures nopassado. Neil Tennant, vocalista da banda britânica, mostrou que mesmo aos 70 anosa sua voz continua bastante jovial. A sua postura poética-psicadélica em palco fezlembrar, muitas vezes, Arnaldo Antunes, fundador da banda de rock brasileira Titãs. Temas como “Where the Streets Have No Name / I Can’t Take My Eyes Off You”, “YouWere Always on My Mind”, “You Were Always on My Mind”, “What Have I Done toDeserve This?”, “It’s a Sin” e “West End Girls”, bem como o espectáculo cénico fizeramas delícias dos presentes. Na hora da despedida, Neil Tennant fez questão de dizer“Boa Noite” em bom português. Para o astral e a energia continuarem em altas, nada melhor que os L’Impératrice. Abanda de francesa, cuja música assenta essencialmente em instrumentais, ainda está arecuperar da saída – com acusações gravíssimas – da sua vocalista original, FloreBenguigui. Mas está num bom caminho. Para o fechar do dia, os The Flaming Lips apresentaram o já vintage “Yoshimi Battlesthe Pink Robots” na íntegra num palco principal cuja assistência foi cerca de… 500pessoas. Algo absolutamente desolador, especialmente tendo em consideração que abanda norte-americana entregou um espectáculo digno de se ver. Wayne Coyne,embora a voz já não atinja a perfeição dos tempos áureos, puxou pelo ‘público’ doinício ao fim, no término de um primeiro dia onde a imagem de um Parque da BelaVista despido é difícil de esquecer. Texto de Diogo Santos. Fotos da Organização do Festival
Imagine Dragons, Uma Banda Fiel A Si Mesma!

Depois de três aparições no NOS Alive, uma em nome próprio no Coliseu dosRecreios e outra no Pavilhão Atlântico, os Imagine Dragons aventuraram-se,com relativo sucesso, no Estádio da Luz. À hora marcada para a banda de abertura iniciar o concerto, o recinto encontrava-sedemasiado despido. Por isso, Declan McKenna e a sua banda de suporte adiaram emquase uma hora o início da sua apresentação. O artista inglês notabilizou-se há umadécada ao ser nomeado o Talento Emergente pelo festival de Glastonbury cujo prémiomonetário resultou em ‘Brazil’, o seu primeiro single de sucesso. Antes do públicopresente escutar esse tema, houve oportunidade para os temas do III álbum deoriginais de Declan – “What Happened to the beach” (lançado o ano passado) – massobretudo para apreciar talento nacional. Isto porque na sua banda de suporte constaIsabel Torres, uma exímia guitarrista que pinta e eleva com naturalidade a qualidadede Declan McKenna. A própria tratou de mostrar as suas raízes ao anunciar queestavam perante “a melhor audiência desta tournée”. Será que os Imagine Dragonsiriam corroborar dessa teoria? Galeria completa aqui: À hora marcada, os Imagine Dragons subiram ao palco através de ‘Fire in These Hills’,faixa do seu VII álbum de originais, “Loom” – nome cujo significado se prende com otear de grandes mudanças, não esquecendo as memórias e as pessoas. No entanto, abanda revelou-se fiel a si mesma ao longo da noite, apenas com uma mudança: pelaprimeira vez, a banda apresentou-se em Portugal sem o baterista Daniel Platzman. Noseu lugar, Andrew Tolman, primeiro baterista da banda. Após a abertura, ‘Thunder’ e‘Bones’ afinaram as gargantas de um Estádio da Luz praticamente lotado. ‘Take Me To The Beach’ foi introduzida por um solo de guitarra sublime de WayneSermon, – o que seria deste guitarrista se não tivesse muitas vezes “preso” às teclasque a banda precisa de colocar-tocar no concerto? ‘Next To Me’ – também conhecidapor abrir pistas de dança em casamentos – e ‘I Bet My Life’ foram tocadas em formatoacústico, no avançado de um impetuoso palco. Para a segunda parte do espectáculo estava reservada a constatação que DanReynolds é um “animal de palco”, o mais próximo que possivelmente alguma vez se terá de Mick Jagger. O mesmo Dan Reynolds assumiu a bateria na recta final de‘Radioactive’, desafiando Andrew Tolman para um duelo. Logo depois, o vocalistanorte-americano assumiu o piano para introduzir um muitíssimo ovacionado‘Demons’. Sem pausas, houve tempo e espaço para ‘Natural’, numa sequência quedeixou sem fôlego praticamente toda a plateia. Numa necessária pausa, Dan Reynolds aproveitou não só para agradecer a presençamas também para explicar que Imagine Dragons significa “proporcionar alegria”,alertando para a importância da saúde mental, contando o seu próprio exemplo.‘Birds’ deveria encerrar a noite, não faltasse ‘Believer’ como cereja no topo do bolo. Talvez Imagine Dragons não seja uma banda feita para multidões imensas, onde aenergia da sua música tende a dispersar-se. Talvez o Estádio da Luz já tenha vistoproduções mais condizentes com o estatuto das bandas que recebe. No entanto,quando se fala de Imagine Dragons fala-se de uma das bandas mais notáveis desteséculo. Só isso vale a presença. Sempre. Alinhamento:1 – Fire in These Hills2 – Thunder3 – Bones4 – Take Me to the Beach5 – Shots6 – I’m So Sorry7 – Whatever It TakesAcústico:8 – Next to Me9 – I Bet My Life10 – Bad Liar11 – Wake Up12 – Radioactive13 – Demons14 – Natural15 – Walking the 16 – Sharks17 – Enemy18 – In Your Corner19 – BirdsEncore:20 – Believer Texto de Diogo Santos. Fotos de Jorge Pereira. Galeria completa aqui:
30 Anos de Tara Perdida!

Na passada sexta-feira, 20 de junho, a República da Música em Alvalade, o bairro lisboeta onde a banda nasceu, foi palco do primeiro de dois concertos esgotados dos Tara Perdida, marcando o início das celebrações dos seus 30 anos de carreira. No palco, os Tara Perdida apresentaram-se no formato de quarteto, com Ruka (Rui Costa) a assumir a voz e guitarra, Tiago Silva (Ganso) na guitarra, Filipe Sousa no baixo e Pedro Rosário (Kystos) na bateria. O concerto foi fiel ao espírito da banda, sem grandes produções, mas com muita energia e autenticidade, características que sempre definiram o grupo. O alinhamento foi uma viagem nostálgica e incluiu temas clássicos e hinos do punk português, como “O Que é Que Eu Faço Aqui”, “Nasci Hoje”, “Nada Me Vai Parar”, “Desalinhado”, “Lisboa” e “Bairro de Alvalade”, além do jingle “Batata Frita” e da estreia ao vivo do novo single “Tudo ou Nada”, lançado especialmente para assinalar as três décadas de existência da banda. O espetáculo contou ainda com a participação de convidados especiais ligados à história dos Tara Perdida, como Tim (Xutos & Pontapés), António Corte-Real (UHF), Samuel Palitos, João Pedro Almendra, Ivo Palitos e Vicente Santos. O evento foi marcado por um ambiente familiar e multigeracional, refletindo a forte ligação da banda ao público, pela memória de João Ribas e a certeza de que a banda, mesmo após três décadas, continua a ser uma força imparável no panorama musical português. Galeria completa aqui:
Vagos Metal Fest

Falta cerca de um mês e meio para o inicio da edição 2025 do Vagos Metal Fest De 31 de Julho a 3 de Agosto, a Capital do Metal recebe P.O.D., Hatebreed, Mayhem, Moonspell, Black Flag, Dying Fetus, Candlemass, Gorgoroth, Rhapsody of Fire, Destruction, Decapitated e muitos mais. Os passes gerais e os bilhetes diários já estão á venda.